quarta-feira, 8 de outubro de 2008

É Nois, baiano!!!

O Cineencontro se despede desse semestre com o filme "Uma Lição de amor", uma produção norte-americana, dirigida pelo cineasta Jessie Nelson e com a participação de Sean Penn no elenco.
E para garantir um final de temporada com gostinho de quero mais, teremos ainda a apresentação da banda Banquete Sonoro como atração cultural.
A sessão deste sábado, 11 de outubro, está imperdível

O Cineencontro começa sempre às 18h

Equipe Cineencontro

Por motivo de força maior a banda Banquete não fará parte do cardápio desse cineencontro, mas dois pratos flambês serão servidos.
O garçom.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Pharol: tempo, imagem e memória de um jornal petrolinense



Há 93 anos, Petrolina via nascer o mais antigo periódico do Vale do São Francisco : O Pharol. Criado por João Ferreira Gomes , Seu Joãozinho, o jornal relatou os impactos da 1ª e da 2ª Guerras Mundiais, a construção da catedral de Petrolina , o êxodo rural, a construção da Ponte Presidente Dutra e o desenvolvimento econômico da cidade.

Todos esses acontecimentos emergem no CD-ROM O Pharol - Tempo, Imagem & Memória, produzido pelos jornalistas Jean Carlos Corrêa e Nomeriana Cavalcanti. O produto foi desenvolvido como Projeto Experimental do curso de Jornalismo em Multimeios, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da professora Andréa Cristiana Santos.

Foram 74 anos de existência. Seu Joãozinho tinha apenas 14 anos, quando criou o Correio da Infância. Manuscrito, tinha apenas uma página dividida em duas colunas. Para o jornalista Jean Carlos Côrrea, a aventura de publicar o jornal "revelaria algo mais do que uma incursão aparentemente amadora e experimental de uma criança no mundo do jornalismo: revelaria a intenção de Joãozinho em difundir opiniões e informações por meio de um periódico".

Alguns meses depois, circularia, no dia 10 de setembro de 1915, O Pharol. Eram apenas duas colunas em uma folha de 15x10cm, com publicação semanal. A primeira edição foi impressa nas oficinas de A Folha do São Francisco durante um ano, até Seu Joaozinho ser presenteado pelo irmão José Mariano Gomes com uma impressora manual planter jobber. Este foi o início para consolidar a oficina d'O Pharol. Abrem-se, assim, as cortinas para um marco da história do jornalismo da região.

Diversos eram os acontecimentos noticiados no jornal. E quem dizia o que viria se tornar notícia eram os critérios de importância estabelecidos por Seu Joãozinho. Normalmente, as notícias variavam de relatos da vida social de Petrolina a acontecimentos de impacto nacional, como a segunda guerra mundial, os investimentos em fruticultura, o cenário político como as Diretas Já, em 1985. "Joazinho foi um homem que tinha uma noção de jornalismo que incluía o desenvolvimento da imprensa em sua cidade", afirmam os jornalistas no CD-Rom.

Ao longo dos anos, O Pharol recebeu diversas homenagens como a medalha de Mérito Cultural Oliveira Lima, em 1985, pois cumpre uma função de servir "de roteiro, aos pesquisadores de seu passado sertanejo". Para a professora Andréa Cristiana Santos, o Cd-Rom é um registro para pesquisadores da imprensa nacional de como uma cidade do sertão de pernambuco pôde assegurar à população informações e artefatos culturais como a fotografia desde 1916. "Hoje, este produto multimídia é uma memória da comunicação na região e da ação de profissionais que se dedicaram a produzir notícias por meio de textos e imagens. É também um passeio pela história de Petrolina e do Brasil", declara a professora, que avalia também a importância do CD-Rom como material didático para as escolas da região.

No CD-Rom, os jornalistas, através de pesquisas e entrevistas, conseguem reunir um vasto material sobre o fotojornalismo da região, com cerca de 115 fotografias. Também há um perfil de Seu Joaozinho e entrevistas com os profissionais do períodico.

Seu Joazinho: um homem de imprensa

Brota a flor no sertão. Onze de julho de 1901, nascia em Petrolina um sertanejo filho de comerciante do Mariano Ferreira Gomes e Maria Nunes Gomes. Além de homem de imprensa, foi vereador.

O jornal contribui para o desenvolvimento de Petrolina e também manteve boas relações com a Diocese de Petrolina. Mas foi longe de sua terra que ele faleceu no Espírito Santo, em 1993. Desde 1986, com a saúde frágil, já não estava mais à frente d'O Pharol.

"Ele foi o pioneiro da imprensa escrita de Petrolina", afirma a sua filha Darcy Neiva Gomes. Por muito tempo, quando ainda não existia luz elétrica em Petrolina, Seu Joaozinho, à luz de velas, escreveu para O Pharol. O objetivo era um só: levar ao público as primeiras notícias do dia.

Por Karine Pereira
Colaboradora MultiCiência

Texto publicado no jornal Gazzeta do São Francisco, na edição do dia 21 de setembro de 2008., Edição Especial Aniversário de Petrolina-Pe.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Documentário "Tempo e Tensão: seco e verde"

A tensão entre o excesso e a escassez de água e as mudanças implícitas e explicitas neste conflito constroem o ambiente do documentário “Tempo em Tensão: seco e verde”, produzido pela professora Giovanna De Marco, em parceria com o Departamento de Ciências Humanas, campus III, da Universidade do Estado da Bahia. O filme é resultado do projeto de pesquisa “Água e Processos Subjetivos: Documentário” lançado, oficialmente, em 15/05 no Canto de Tudo, DCH III.

A idéia de documentar a subjetivação presente nos territórios existenciais das comunidades rurais de Massaroca, no distrito de Juazeiro-Ba, surgiu como um problema de pesquisa no período em que a professora desenvolvia a sua tese de doutorado “Água e Processos Subjetivos”, na Pontifícia Universidade Católica (PUC – São Paulo). A pesquisadora sentiu a necessidade de trazer as tensões encontradas na sua pesquisa para a linguagem audiovisual, considerando que seria mais eficaz para trazer as questões
suscitadas no trabalho escrito. O audiovisual não complementa a tese, mas aponta um novo modo de fazer pesquisa, expõe o problema sob uma outra perspectiva, esclarece Giovanna.

A intenção da pesquisadora não era trabalhar com a linearidade, mas deixar surgir, através das imagens, a polarização que se estabelece entre o excesso e escassez de água, entre as estações, as questões que intervêm na vida das pessoas e no modo como elas se organizam em comunidade. Isto porque há uma concepção que identifica o “atraso” da região como resultado da falta de água. Segundo a professora Giovanna, as coisas não acontecem dessa forma. Para ela, os problemas das comunidades têm origem na tensão das duas estações, das mudanças em curso e na maneira como as comunidades se comportam em torno disto, e não pela escassez de água. O documentário torna ainda visível as mudanças causadas por um processo de “desenvolvimento”, advindo dos projetos de perímetros irrigados na região.

Devido à falta de recursos, a produção do documentário, que seria um produto paralelo à escrita da tese, foi adiada. De volta à UNEB, no ano de 2003, a professora recebeu o apoio de Josenilton Nunes Vieira, então diretor do Departamento de Ciências Humanas III. Á época, o DCH III ensaiava os seus primeiros passos na pesquisa acadêmica. Contudo, o alto custo do projeto dificultou a busca por financiamento.

A alternativa criada para resolver esse problema foi a implantação de um Laboratório de Audiovisual, no DCH III, em virtude da chegada do curso de Comunicação Social. O local seria um espaço onde se produziria o documentário, bem como um lugar destinado ao desenvolvimento de outros projetos de pesquisa, ensino e extensão oriundos tanto do curso de Comunicação Social como de Pedagogia.

Para realizar o documentário, a pesquisadora enfrentou muitos desafios relacionados ao próprio processo de documentar audiovisualmente essas tensões. Primeiro, a produção do documentário evocou a necessidade de uma nova pesquisa porque a anterior já não dava conta desta outra linguagem, o audiovisual.

Para dar continuidade ao projeto, novos membros aderiram à pesquisa, entre eles, as estudantes Ana Lorena Oliveira, aluna do curso de Pedagogia e bolsista de iniciação científica, e Cíntia Sacramento, aluna de Comunicação Social, além de Francisco de Assis da Silva, Moésio Allan Belfort, Eric Fabiano Alves de Oliveira, ex-alunos da universidade, Chico Egídio, fotógrafo, e Alírio Amorim Nunes, funcionário do departamento.

Todos se especializaram no sentido em que o documentário propunha uma nova perspectiva sobre o modo de desenvolver uma pesquisa acadêmica. “Foi exigida uma pesquisa bibliográfica e o desenvolvimento de ferramentas técnicas e estéticas”, afirma a professora. Foram necessárias muitas definições e redefinições, afinal, não era preciso saber apenas usar o audiovisual como ferramenta, mas fazer uma articulação da pesquisa com esta linguagem.

Com uma equipe formada, surgiram outros problemas de ordem teórica e técnica. A dificuldade se apresentava como traduzir as tensões em variações e gradações numa linguagem audiovisual sem confinar os modos de existência em um ou outro pólo de tensão. Posteriormente, foram enfrentadas limitações técnicas. Primeiro, no transporte pelas comunidades e no processo de filmagem, depois durante a seleção das imagens e edição do material capturado.

No período de captação das imagens na estação verde, realizado nos meses de abril à maio de 2005, a equipe firmou uma parceria com o Ibama, a fim de viabilizar o acesso às comunidades, ainda alagadas por causa das chuvas. Já na estação seca, em outubro de 2005, as imagens foram capturadas por Alírio e uma pequena parte, pelas estudantes, utilizando o transporte do departamento e, muitas vezes, o carro da própria professora.

Depois de mais de quarenta horas de gravação, era necessário iniciar o momento da decupagem e edição. “Foi preciso criar condições para trabalhar. A ilha de edição não tinha capacidade para armazenar o material filmado e fazer a decupagem”, relembra Giovanna. A equipe precisou pensar em medidas alternativas como critérios para seleção das imagens e organização do material. Cada um foi para a sua casa e deu início a um longo processo de triagem, difícil em virtude da qualidade do conteúdo filmado. “Tínhamos muitos problemas com tomadas e enquadramentos, fomos eliminando o material com a estética prejudicada. Mas não podíamos desprezar tudo, pois o material era muito importante para a pesquisa”, conclui a professora.

Após muitos desafios e aprendizagens, o documentário com 93 minutos de exibição, o documentário está disponível para ser apreciado por pesquisadores, acadêmicos e a comunidade local, em especial, aos moradores das nove comunidades pesquisadas, que não são apenas personagens, mas co-autores do projeto.

Para saudar um compromisso estabelecido com as comunidades, o filme foi exibido pela primeira vez na Escola Rural de Massaroca, no dia 8 de maio, na comunidade de Lagoinha, município de Juazeiro – Bahia. Além desta comunidade, Curral Novo, Lagoa do Meio, Cachoeirinha, Caldeirão do Tibério, Cipó, Lagoa do Angico, Juá e Canoa, também acolheram o projeto e serviram de cenário para a captação das imagens.

De acordo com a professora, o documentário é um instrumento para dar visibilidade e dizibilidade aos problemas da região, sem trazer a verdade absoluta, mas uma verdade dentre várias, na qual as personagens se problematizam. “É um modo de mostrar como essas comunidades organizam sua existência ao longo do ano, não apenas nos momentos de maior tensão trazidos pela seca prolongada ou pelo excesso de chuvas. Mostrar uma outra realidade também para especialistas e políticos que desconhecem tais modos de existência e faze-los ver para além dos estereótipos que aparecem nos meios de comunicação”., afirma Giovanna.

Informações: Giovanna De Marco
74 3611-5617

Por Eneida Trindade
Colaboradora do MultiCiência

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Vale a pena ler.







Mulheres estudam mais que
homens, mas ainda têm mais
dificuldade de encontrar ocupação
(Uol Educação)