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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Evento

sexta-feira, 20 de março de 2009

Navegando Pela Barragem de Sobradinho



Clicar, arrastar, mover o mouse. Por meio destes comandos, você realiza uma viagem pelas aventuras do CD-ROM Tudo de Novo e identifica os movimentos cotidianos engendrados pelos diversos protagonistas da construção da Barragem de Sobradinho, na Bahia, na década de 1970. A navegação conduzirá você a vivenciar as músicas da época, o medo das mulheres em sair à noite, os locais onde os operários trabalhavam, se divertiam nos cabarés e compravam mantimentos, como as feiras-livres. Para tanto, basta clicar em links e botões.
A experiência inédita foi lançada pela pesquisa “Construção da Barragem de Sobradinho: A Inesgotável Inquietação da Existência”, coordenado pela professora Maria Rita do Amaral Assy, do Departamento de Ciências Humanas Campus III/UNEB e os pedagogos Moésio Allan Belfort e Cleonice Coelho de Assis, entre outros pesquisadores.
Durante quatro anos de pesquisa, foram reunidos textos, áudios (entrevistas com moradores da cidade) e mais de 500 fotografias, cedidas pelos habitantes de Sobradinho, que vão desde a construção da barragem, registro de momentos do cotidiano dos moradores e a criação da cidade de Sobradinho.
Segundo a Professora Maria Rita, o titulo do produto multimídia “Tudo de Novo” remete à experiência de trazer em linguagem digital os estudos realizados pela pesquisa acerca dos movimentos produzidos pela construção da barragem de Sobradinho-BA. A professora afirma que a criação do CD-ROM não tem o objetivo de salvar os arquivos em pastas, nem analisá-los separadamente. “Se fosse separar em pastas para arquivar, poderíamos correr o risco de suprimir o processo de pesquisa”, defende Maria Rita.
Durante a pesquisa, a equipe percebeu que grande parte dos documentos oficiais não trazia os movimentos que estavam em curso no processo de construção da barragem. Perceberam, então, que o discurso dos moradores, remanescentes desse período, poderia evidenciar melhor esses movimentos. “Nós tínhamos textos, fotos e entrevistas. Observamos que os textos combinavam com as fotos, as fotos tinham a ver com as entrevistas, que combinavam com o clima do lugar. A própria música tinha a ver com o que as pessoas falavam”, comenta Maria Rita.
A idéia do CD-Room surgiu para fazer com que, você – navegador - faça uma viagem pela pesquisa numa integração entre imagens, áudio e textos. Nessa viagem, você se deixa levar pela intuição, porém não de forma aleatória. Por meio da escolha de uma das três portas digitais, percorre espaços previamente pensados pela equipe criadora.
Na primeira porta, o cenário é a construção da barragem de Sobradinho que contém entrevistas e fotografias do cotidiano do trabalho. Na segunda porta, mergulhamos no processo de criação da cidade e cenas do cotidiano dos moradores. “No princípio, não se objetivava criar uma cidade, a intenção inicial era criar vilas para abrigar os trabalhadores. Logo após o término da construção, as vilas seriam evacuadas. Porém, as pessoas acabaram ficando”, afirma Maria Rita.
Na terceira porta, o clima é de guerra e tensão, devido a existência de muitos conflitos durante a construção da barragem. Vindas de lugares distantes, com culturas e modos de vida diferentes, as pessoas tinham apenas o objetivo comum de trabalhar na construção da Barragem, e foi difícil conciliar as diferenças culturais. Mas também havia locais, como os cabarés, em que as pessoas procuram extravasar as tensões e esquecer os problemas. Ao entrar no cabaré, a música é alta e é necessário apurar ao máximo a audição para entender as entrevistas, numa simulação do ambiente da época.
Por 12 horas, você percorre uma viagem histórica, no qual passado e presente se entrecruzam. Para auxiliá-lo nessa viagem, o CD-ROM traz, no encarte, um mapa explicativo que poderá ajudá-lo na navegação. Assim, poderá percorrer, sem pressa, e fazer sua própria interpretação da realidade observada. “Durante o trabalho de pesquisa percebemos que as telas trazem muito mais as sensações do que a representação do real, pois retrata a experiência que cada um tem na obra”, conclui a pesquisadora. A partir das sensações adquiridas, o navegador decide se quer sair, continuar o seu percurso ou começar “Tudo de Novo”.
A pedagoga Cleonice Coelho destaca que a pesquisa mostra na voz dos entrevistados a vida dos próprios moradores. “Contam a história de vida dos moradores, na voz deles, do cotidiano. Mesmo os que deram depoimentos se identificam no CD-ROM”.
Segundo Moésio Belfort, pedagogo e pesquisador colaborador do projeto, a equipe passou por dificuldades para obtenção de recursos, mas conseguiu ultrapassar essas dificuldades. “A universidade permite viver o ambiente de pesquisa e experimentar. Mesmo com pacos recursos, é possível criar, produzir”, afirma Moésio.

Estudantes, professores e interessados em fazer uma viagem pela Barragem de Sobradinho-BA poderão adquirir o CD-Room no Núcleo de Apoio a Pesquisa –NUPE/ UNEB.


Maiores Informações:
NUPE Núcleo de Apoio a Pesquisa/ UNEB
Tel: (74) 3611-5617 Ramal 214
Por Lidiane Cavalcante
Multi Ciência 12/11/2007

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

O Pharol: tempo, imagem e memória de um jornal petrolinense



Há 93 anos, Petrolina via nascer o mais antigo periódico do Vale do São Francisco : O Pharol. Criado por João Ferreira Gomes , Seu Joãozinho, o jornal relatou os impactos da 1ª e da 2ª Guerras Mundiais, a construção da catedral de Petrolina , o êxodo rural, a construção da Ponte Presidente Dutra e o desenvolvimento econômico da cidade.

Todos esses acontecimentos emergem no CD-ROM O Pharol - Tempo, Imagem & Memória, produzido pelos jornalistas Jean Carlos Corrêa e Nomeriana Cavalcanti. O produto foi desenvolvido como Projeto Experimental do curso de Jornalismo em Multimeios, do Departamento de Ciências Humanas, da Universidade do Estado da Bahia, sob a orientação da professora Andréa Cristiana Santos.

Foram 74 anos de existência. Seu Joãozinho tinha apenas 14 anos, quando criou o Correio da Infância. Manuscrito, tinha apenas uma página dividida em duas colunas. Para o jornalista Jean Carlos Côrrea, a aventura de publicar o jornal "revelaria algo mais do que uma incursão aparentemente amadora e experimental de uma criança no mundo do jornalismo: revelaria a intenção de Joãozinho em difundir opiniões e informações por meio de um periódico".

Alguns meses depois, circularia, no dia 10 de setembro de 1915, O Pharol. Eram apenas duas colunas em uma folha de 15x10cm, com publicação semanal. A primeira edição foi impressa nas oficinas de A Folha do São Francisco durante um ano, até Seu Joaozinho ser presenteado pelo irmão José Mariano Gomes com uma impressora manual planter jobber. Este foi o início para consolidar a oficina d'O Pharol. Abrem-se, assim, as cortinas para um marco da história do jornalismo da região.

Diversos eram os acontecimentos noticiados no jornal. E quem dizia o que viria se tornar notícia eram os critérios de importância estabelecidos por Seu Joãozinho. Normalmente, as notícias variavam de relatos da vida social de Petrolina a acontecimentos de impacto nacional, como a segunda guerra mundial, os investimentos em fruticultura, o cenário político como as Diretas Já, em 1985. "Joazinho foi um homem que tinha uma noção de jornalismo que incluía o desenvolvimento da imprensa em sua cidade", afirmam os jornalistas no CD-Rom.

Ao longo dos anos, O Pharol recebeu diversas homenagens como a medalha de Mérito Cultural Oliveira Lima, em 1985, pois cumpre uma função de servir "de roteiro, aos pesquisadores de seu passado sertanejo". Para a professora Andréa Cristiana Santos, o Cd-Rom é um registro para pesquisadores da imprensa nacional de como uma cidade do sertão de pernambuco pôde assegurar à população informações e artefatos culturais como a fotografia desde 1916. "Hoje, este produto multimídia é uma memória da comunicação na região e da ação de profissionais que se dedicaram a produzir notícias por meio de textos e imagens. É também um passeio pela história de Petrolina e do Brasil", declara a professora, que avalia também a importância do CD-Rom como material didático para as escolas da região.

No CD-Rom, os jornalistas, através de pesquisas e entrevistas, conseguem reunir um vasto material sobre o fotojornalismo da região, com cerca de 115 fotografias. Também há um perfil de Seu Joaozinho e entrevistas com os profissionais do períodico.

Seu Joazinho: um homem de imprensa

Brota a flor no sertão. Onze de julho de 1901, nascia em Petrolina um sertanejo filho de comerciante do Mariano Ferreira Gomes e Maria Nunes Gomes. Além de homem de imprensa, foi vereador.

O jornal contribui para o desenvolvimento de Petrolina e também manteve boas relações com a Diocese de Petrolina. Mas foi longe de sua terra que ele faleceu no Espírito Santo, em 1993. Desde 1986, com a saúde frágil, já não estava mais à frente d'O Pharol.

"Ele foi o pioneiro da imprensa escrita de Petrolina", afirma a sua filha Darcy Neiva Gomes. Por muito tempo, quando ainda não existia luz elétrica em Petrolina, Seu Joaozinho, à luz de velas, escreveu para O Pharol. O objetivo era um só: levar ao público as primeiras notícias do dia.

Por Karine Pereira
Colaboradora MultiCiência

Texto publicado no jornal Gazzeta do São Francisco, na edição do dia 21 de setembro de 2008., Edição Especial Aniversário de Petrolina-Pe.